Eu tenho o péssimo costume de me desapegar do que escrevo. Se algo sai da minha mente, ganha as limitações da vida real quando materializado em um texto. Tal hábito sempre me incomodou, mas dessa vez farei bem uso dele.
– Enfim,
Eu achei que tinha asfixiado esse sentimento dentro de mim. Fiz questão de vê-lo agonizá-lo para certificar sua morte. E agora me parece que não sou tão frio assim, pois, basta alguém olhar dentro de meus olhos para ainda encontrá-lo vivo, suspirando por você.
Eu tentei fugir do brilho do seu sorriso, me confortar com o fato de que pra sempre iria sentir sua falta e já tentei fingir que não sinto falta de te abraçar. Divido-me entre a duvida de te desejar e a certeza de quero fazer como se nada nunca tivesse acontecido conosco. Eis a questão.
Por fim, eu te vejo seguindo novos caminhos – e bem acompanhada até; e me vejo muito bem quando finjo seguir com minha vida, talvez se eu tentasse seguir de fato – e sozinho – tudo ficasse bem. E por isso materializei todo esse sentimento aqui. Ao por um ponto final nesse texto, espero que o antídoto cause o efeito esperado. Eu vou esquecer-me de você e parar de me preocupar com as chances que sei que ainda temos.
– E dessa vez faço questão de ser frio até o ultimo suspiro.